Eu nunca acreditei na ideia de vocação
Do arquivo: contra a máxima cruel do “faça o que ama e nunca mais trabalhe”.
Do arquivo. Escrito na época da faculdade de Direito [LACUNA: perguntar à Nina — ano exato; e se quer acrescentar um pós-escrito de hoje, que relação tem agora com este texto]. Publicado aqui como foi escrito, com a mesma convicção e as mesmas arestas.
Eu nunca acreditei na ideia de vocação.
Acho aquela máxima "faça aquilo que você ama e nunca mais precisará trabalhar" simplesmente cruel.
Essa mesma perspectiva leva a gente a crer que descobrir o que realmente amamos fazer é se realizar plenamente naquilo.
Isso sempre me frustrou muito, principalmente quando, depois de passar em Direito em uma Universidade Federal, me deparei com um sistema de ensino arcaico, segregador e sexista.
Tem sido um caminho tortuoso para mim desde então.
Um turning point nesse processo — e na minha vida — foi começar a pesquisar Feminismos e me deparar com os Feminismos Jurídicos.
Eu me descobri de um jeito que seria clichê demais expressar aqui.
Sigo não acreditando em vocação.
Numa perspectiva yogi, sei que achar equilíbrio e conforto não é sinônimo de passividade e ausência de desafio.
Eu amo o que eu faço e vivo a certeza de que nunca vai deixar de ser árduo e trabalhoso.
Mas amar o que eu faço me torna grata por viver o aqui e o agora.
Eu amo o que eu faço e isso me permite fazê-lo com verdade e apaixonadamente.
Eu amo o que eu faço e nutro a certeza de que o meu trabalho importa, é relevante e transformador.
Tem me transformado todos os dias.
Hoje finalizei o dia de trabalho sentindo mais uma vez que superei os meus limites e estou numa jornada capaz de me tornar uma pessoa melhor e mais completa.
Eu sei, clichê pra caralho.
Mas é verdade e me faz feliz.
Namastê.